hoje eu tirei um CD do armário para ouvir. da época em que eu comprava CDs. da época em que uma coleção de CDs podia definir com boa precisão a identidade musical de uma pessoa.
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hoje se eu chegar na casa de alguém, é mais provável que eu não ache CDs pelas estantes, a não ser que seja um aficcionado, um nostálgico ou um DJ. ou alguém com preguiça de arrumar a casa, como eu.
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você pode argumentar, mas você pode ver o Ipod ou laptop dela. na era do individualismo, porém, Ipods e laptops não foram feitos para serem divididos. eles não estão lá junto com a decoração da casa, mostrando as músicas da sua vida.
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CDs, tudo isso antes era como um álbum de fotografias da vida da pessoa. será que a meninada de hoje chama o paquera para mostrar o seu Ipod ou laptop? ah, lembrei. hoje as pessoas fazem isso nas redes sociais. colam um video lá. eu mesma faço isso.
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mas são só músicas jogadas ao acaso. são músicas, não discos. discos são mais do que uma coleção de músicas. músicas de um disco fazem sentido numa certa ordem. músicas de um disco tem arte na capa. músicas de um disco tem letras e temas e cores. tem a música mais legal e a música mais chata, que a gente às vezes pula. e a gente fica no sofá lendo o encarte, sentindo o cheiro dele. e fica tentando decorar as letras.
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qual é o seu disco?
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hoje eu fiquei com vontade de chico buarque por causa de um comentário lá no trabalho. lembrei que me apaixonei pelo chico não das antigas, mas de tempos mais recentes. nos anos 90 ele fez um disco chamado Paratodos e eu sabia todas as músicas de cor. fui ao show dele e cantei todas desse disco. as antigas eu não conhecia.
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eu ando evoluindo nas aulas de piano popular, e aprendi recentemente que tanto no samba quanto na bossa nova, a batida é tum-tum, tum-tum, que nem uma batida de coração.
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outra pessoa que eu amo e que é mencionada pelo menos duas vezes em Paratodos é meu querido Tom Jobim. E esse post é dedicado para ele, uma pessoa do tempo em que se podia visitar outra pessoa e conhecer a coleção de discos dela e achar "bárbaro". Do tempo em que cavalheiros eram cavalheiros de verdade. Coração de leão.
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Mangueira
Estou aqui na plataforma
Da estação primeira
O morro veio me chamar
De terno branco
E chapéu de palha
Vou me apresentar
À minha nova parceira (majestosa)
Mandei subir o piano
Prá mangueira
A minha música não é de
Levantar poeira
Mas pode entrar no barracão
Onde a cabrocha pendura
A saia ao amanhecer da
Quarta-feira, Mangueira
Estação primeira
Pela vida inteira
Mangueira
Estou aqui na plataforma
Da estação primeira
O morro veio me chamar
De terno branco
E chapéu de palha
Vou me apresentar
À minha nova parceira (majestosa)
Mandei subir o piano
Prá mangueira
A minha música não é de
Levantar poeira
Mas pode entrar no barracão
Onde a cabrocha pendura
A saia ao amanhecer da
Quarta-feira, Mangueira
Estação primeira
Pela vida inteira
Mangueira
nos últimos anos. 