sexta-feira, 15 de outubro de 2010

roda viva

hoje eu tirei um CD do armário para ouvir. da época em que eu comprava CDs. da época em que uma coleção de CDs podia definir com boa precisão a identidade musical de uma pessoa.


*


hoje se eu chegar na casa de alguém, é mais provável que eu não ache CDs pelas estantes, a não ser que seja um aficcionado, um nostálgico ou um DJ. ou alguém com preguiça de arrumar a casa, como eu.


*


você pode argumentar, mas você pode ver o Ipod ou laptop dela. na era do individualismo, porém, Ipods e laptops não foram feitos para serem divididos. eles não estão lá junto com a decoração da casa, mostrando as músicas da sua vida.


*


CDs, tudo isso antes era como um álbum de fotografias da vida da pessoa. será que a meninada de hoje chama o paquera para mostrar o seu Ipod ou laptop? ah, lembrei. hoje as pessoas fazem isso nas redes sociais. colam um video lá. eu mesma faço isso.


*


mas são só músicas jogadas ao acaso. são músicas, não discos. discos são mais do que uma coleção de músicas. músicas de um disco fazem sentido numa certa ordem. músicas de um disco tem arte na capa. músicas de um disco tem letras e temas e cores. tem a música mais legal e a música mais chata, que a gente às vezes pula. e a gente fica no sofá lendo o encarte, sentindo o cheiro dele. e fica tentando decorar as letras.

*

qual é o seu disco?

*

hoje eu fiquei com vontade de chico buarque por causa de um comentário lá no trabalho. lembrei que me apaixonei pelo chico não das antigas, mas de tempos mais recentes. nos anos 90 ele fez um disco chamado Paratodos e eu sabia todas as músicas de cor. fui ao show dele e cantei todas desse disco. as antigas eu não conhecia.

*
eu ando evoluindo nas aulas de piano popular, e aprendi recentemente que tanto no samba quanto na bossa nova, a batida é tum-tum, tum-tum, que nem uma batida de coração.

*
outra pessoa que eu amo e que é mencionada pelo menos duas vezes em Paratodos é meu querido Tom Jobim. E esse post é dedicado para ele, uma pessoa do tempo em que se podia visitar outra pessoa e conhecer a coleção de discos dela e achar "bárbaro". Do tempo em que cavalheiros eram cavalheiros de verdade. Coração de leão.

*
Mangueira
Estou aqui na plataforma
Da estação primeira
O morro veio me chamar
De terno branco
E chapéu de palha
Vou me apresentar
À minha nova parceira (majestosa)
Mandei subir o piano
Prá mangueira

A minha música não é de
Levantar poeira
Mas pode entrar no barracão
Onde a cabrocha pendura
A saia ao amanhecer da
Quarta-feira, Mangueira
Estação primeira
Pela vida inteira
Mangueira

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

hearing damage - thom yorke - looping

A tear in my brain
Allows the voices in
They wanna push you off the path
With their frequency wires

And you can do no wrong
In my eyes
In my eyes
You can do no wrong
In my eyes
In my eyes

A drunken salesman
Your hearing damage
Your mind is restless
They say you’re getting better
But you don’t feel any better

Your speakers are blowing
Your ears are wrecking
Your hearing damage
You wish you felt better
You wish you felt better

You can do no wrong
In my eyes
In my eyes
You can do no wrong
In my eyes
In my eyes
In my

In my eyes
In my eyes
In my eyes

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

message in a bottle

quanto tempo não escrevo. vou escrever na esperança que o destinatário desse post leia, como quem lança ao mar uma mensagem dentro de uma garrafa.
*
hoje ouvi essa linda música do Blink 182 no rádio, que eu quero lhe dedicar.
*


Where are you and I'm so sorry
I cannot sleep I cannot dream tonight
I need somebody and always
This sick strange darkness
Comes creeping on so haunting every time
And as I stared
I counted Webs from all the spiders
Catching things and eating their insides
Like indecision to call you
and hear your voice of treason
Will you come home and stop this pain tonight
Stop this pain tonight
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you, I miss you)
Don't waste your time on me you're already
The voice inside my head (I miss you, I miss you)

blink 182, I miss you.
*
i'll send an SOS to the world
i'll send an SOS to the world
i hope that someone gets my
i hope that someone gets my
message in a bottle(the police)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ringo

Estou (des)inspirada pelo filme 500 days of Summer.

Summer, a personagem que dá nome a essa comédia romântica, que não é nem comédia, nem romântica, tem como beatle preferido Ringo Starr, motivo de piadas pelo não-namorado dela.

Embora eu tenha pouca simpatia pelo personagem de Summer, eu compartilho dessa predileção pelo Ringo. Por que Ringo é o melhor beatle? Porque é o único que viveu segundo os ideais pregados pelos Beatles.

All you need is love? My ass. John Lennon nos falou para imaginarmos um mundo em paz, mas ele morreu brigado com Paul.

Let it be? Acho que até hoje o Paul tem uma magoazinha dos colegas de grupo e no fundo se acha o melhor.

Sweet Lord? George Harrisson parecia o mais espiritualizado da turma, mas antes de morrer, só abria a boca para falar besteira. Acho que ele ficou foi meio caduco por causa das drogas, a ponto de eleger a música Ana Júlia do Los Hermanos como a melhor música dos últimos tempos. Em entrevistas, demonstrou ser um tanto quanto rancoroso, especialmente com U2 (que nada tinha a ver com a história).

Smell the flowers while you can. Nunca vou esquecer o depoimento do Ringo, ao final de um antigo documentário sobre os Beatles, em que ele dizia que a coisa mais triste para ele no fim da banda foi perder a amizade dos colegas. Porque era assim que ele encarava. E ele sempre foi o mais bem-humorado e o de espírito mais leve. Talvez haja quem ache que ele não tinha nenhum talento especial, mas ele é o mais amoroso. E é por isso que, na minha opinião, ele é o melhor beatle.

Falo tudo isso da boca para fora. Na verdade, gosto de todos, eu só quis pegar nos defeitos mesmo. Só queria mostrar que de todas as qualidades que um ser humano tem, talento, inteligência, beleza, riqueza, nada disso vale sem amor. Aliás, a falta de amor levou ao fim dos Beatles. Amor é a cola que faz as pessoas ficarem unidas, é um ato voluntário e não algo que se sente.

E eu estou extremamente (des)inspirada por esse filme depressivo que acabo de ver em plena Sexta-feira da paixão.

Aliás, o filme toca bastante The Smiths e, cita ou plagia Nick Hornby, mostrando o quanto ouvir a bandinhas depressivas inglesas pode literalmente destruir a sua vida amorosa. Vou anotar isso no meu caderninho. É um excelente filme. Mas como o narrador diz, não é um filme de amor.

To die by your side
Is such a heavenly way to die
And if a ten ton truck
Kills the both of us
To die by your side
Well the pleasure, the privilege is mine

THERE'S A LIGHT THAT NEVER GOES OUT, THE SMITHS.

sábado, 20 de março de 2010

Lost in translation

“You will become a hippocrate. You'll become a liar. You'll try and paper-up your own cracks and... you know. And everybody does it. And that's what being an adult is. And then you have babies and... that's it.” (Thom Yorke, in “Meeting People is Easy”, 1998)

Em 1997, com o seu OK Computer, Radiohead seria considerada a maior banda de rock do mundo. A própria banda questionou o título. Registrou, porém, o momento, nesse filme chamado Meeting People is Easy. É algo caótico, estroboscópico, melancólico – óbvio – tem toques de Wim Wenders, Achtung Baby, mas do meio para o final, quando a turnê chega ao Japão, não pude deixar de lembrar do filme da minha vida. O filme cujo título se perdeu na tradução, assim como o título original.

- É o filme da minha vida, eu disse, quando foi lançado aqui, talvez em 2004.

- Como pode ser o filme da sua vida, um filme sem sentido, com pessoas tristes, melancólicas?

Traduzir o sentimento não faria sentido. Não consigo rotular o filme assim. Não consigo rotular pessoas assim. E qual é o problema com a tristeza? As pessoas não rechaçam filmes violentos como rechaçam os dramas. Dramas humanos como os de cada um de nós.

- full circle.Eu comprei o Meeting peolpe há muito tempo, mas só agora assisti de verdade. Parece um daqueles sonhos, como em Matrix, em que não se sabe se está dormindo ou acordado. Por muito tempo, não compreendi o Radiohead. O que é ser a maior banda do mundo?

Talvez seja estar de cara limpa. Eles estavam da cara limpa. Tão jovens, parecem meninos, adolescentes. Em algum ponto, o repórter diz, surpreso, vocês têm a aparência muito saudável. Thom está sóbrio o tempo todo, assim como o resto da banda. Lúcidos, presentes, quase num estado meditativo. Estão em total sintonia com o nosso tempo, com a vida que vivemos, com esse mundo louco e triste em que vivemos. Diferente do que pensei, eles não estão tristes. Tampouco envaidecidos pelo sucesso. A música, além do som absolutamente contemporâneo, fala do que é viver hoje. Tecnologia, sociedade massificada, solidão na multidão, mídia. A sensibilidade do artista é revelar facetas da vida. E a música do Radiohead capta o espírito do nosso tempo. É um espelho difícil de olhar, difícil de apreciar.

Assim como o filme. Se pudesse haver um critério matemático na vida, a gente contabilizaria bem mais tristezas do que alegrias. A maior parte dos seres humanos passa a vida compensando isso com tentativas de valorizar os fugazes momentos sublimes. Uma viagem de férias. O show de uma grande banda. Um sucesso profissional. Um aniversário. Pequenos luxos. Gentilezas, suporte mútuo, sociabilidade, espiritualidade.Esquecemos que estamos acabando com a natureza e com o outro. Com os outros. Entramos numa discoteca e esquecemos. Sonhamos com um musical da Broadway e esquecemos. Abrimos uma revista Caras e esquecemos. Esquecemos de tudo. Continuamos sós. Deixamos o outro só.

Qual é a sensação do filme de Sophia Coppola? Uma vez em um fórum da internet, alguém resumiu bem. Você sente que na vida está todo mundo falando japonês, mas você não sabe uma palavra de japonês. E não se consegue conectar-se com a maioria das pessoas, mesmo as que falam a mesma língua.

A maior parte das bandas de rock falam sobre relações amorosas, e suas variantes, mulheres, drogas, baladas, e outros assuntos triviais. Eu gosto delas, eu até adoro elas, mas elas não se conectam comigo. Normalmente eu curto o som. Eu só tive a conexão Bob-Charlotte com o Radiohead. Não foi uma conexão imediata, mas uma vez estabelecida, ela foi significativa e ímpar.

Ouvir o Radiohead é como receber um abraço e um beijo quente e reconfortante de uma alma gêmea, no meio de uma rua lotada, em um país longínquo, frio e estrangeiro.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

fear of sleep

ontem eu estava ouvindo strokes enquanto corria na esteira e tem uma música killing lies que não é tão boa quanto fear of sleep, embora seja sensacional também, aliás este first impressions é legal demais, killing lies me inspirou a pensar que eu gostaria muito de escrever para o meu próximo disco sobre como as mentiras matam o amor, podem matar muito rápido, e o mesmo strokes me fez lembrar de uma potencialidade de amor que começou com uma mentira e que após um encontro foi rapidamente revelada para que o amor nem pudesse nascer, já que essa nunca havia sido mesmo a intenção, foi um verdadeiro aborto do amor, e tem também as mentirinhas que são uma espécie de vírus oculto que pegam o fígado, um órgão vital, e você não descobre a tempo, quando vê, o fígado está todo acabado, não há mais nada, nem sinal do amor, que foi sendo morto lentamente ao longo do tempo, há também aquelas mentiras muito grandes, e a morte acaba não sendo natural, é um verdadeiro homicídio qualificado do amor, com requintes de crueldade, é aquele susto absurdo que se leva ao saber ter ficado tanto tempo cego para a realidade, como se tivesse relacionado com alguém que não existiu, com um corpo sem espírito, aliás, talvez seria mais correto dizer que nesse caso o crime foi impossível, o amor nunca existiu mesmo ali de verdade, foi aquilo que o direito chama de erro, erro para o direito significa engano, bom, mas a pior e mais matadora é aquela mentira que o renato russo falou, mentir para si mesmo, mentir para si mesmo e eliminar toda e qualquer possibilidade de amor, é viver num mundo de fantasia, sem espelhos, para não enxergar a si próprio, e esse foi o rap que eu fiz porque eu odeio tanto a mentira, será que é cantável?

sábado, 2 de janeiro de 2010

a melhor banda de todos os tempos da última década

Comecei bem, estudando o Código Civil, e terminei aqui ouvindo Strokes pelo YouTube.

*

Eu queria fazer um post de melhores bandas/artistas do ano, mas não teria autoridade já que ouvir música ficou uma coisa periférica na minha vida e passei boa parte do meu tempo esse ano explorando o mundo dos musicais da Broadway.

Pensei então fazer um das melhores músicas. Mas também deu preguiça.

Então hoje de manhã fui para a academia e fiquei ouvindo Foo Fighters, essas músicas que dão vontade de pular. E pensei que, apesar de tudo, e depois de ouvir de tudo, meu gênero predileto continua sendo o ROCK. E agora de tarde ouvi alguns alternativos e acabei indo parar no Strokes, banda originária da minha amada Nova Iorque. E pensei que estamos em 2010. A década acabou. Minhas bandas preferidas formaram-se nos anos 90. O rock não evoluiu muito nessa década. Não apareceu nada parecido com Nirvana, por exemplo - que mudou tudo na época. Teria o rock morrido? Bom, se tem um lugar onde ele ainda dá alguns suspiros indicando sinal de vida é exatamente nos Strokes. Então, em vez de fazer rankings mirabolantes eu vou dizer que a melhor banda dos anos 00 foram exatamente eles. É rock mas sem ser excessivamente masculino ou metálico, é irreverente mas invulgar, é quase alternativo, mas sem ser inacessível ou atécnico, é estiloso, é pop, mas sem sentimentalismo, ou politicamente correto, como a onda que invadiu o mundoNegrito nos últimos anos. É o tom criativo dessa década. Ouvir esse som é o mesmo que devorar uma fornada de cookies que acabaram de sair do forno com gotas de chocolate. É bom demais! Que eles voltem logo. Estão prometendo um disco novo faz uns dois anos já.

The Killers, Kings of Leon, Kaiser Chiefs, e outros KNegritos por aí são legais também. Mas ninguém tem tanto charme quanto Julian Casablancas e companhia.

*

Eu ia falar do Radiohead, mas am I buggin' ya? I don't mean to bug ya...!

*

Fui procurar uma letra na Internet e achei esse texto aqui, sensacional:

The sound of The Strokes is the result of frantic living,
and the late nights and the early mornings they've spent
making their music in New York City. Their music makes you
want to forget who you are, and unlocks the possibilities
of what you might want to be.
(from sing365.com)

*

Yeah, the night's not over
You're not trying hard enough,
Our lives are changing lanes
You ran me off the road,
The wait is over
I'm now taking over,
You're no longer laughing
I'm not drowning fast enough.
(Reptilia, The Strokes)